domingo, 14 de janeiro de 2018

Ninguém é invecível



Imagem retirada do Twitter oficial do Liverpool
  

  Assim que começava o confronto entre Liverpool e Manchester City, falei que seria 4x4. Errei por um gol. 4x3 para o time de Anfield. Mas não foi a toa que chutei um placar com tantos gols.

  No livro "Guardiola Confidencial", do jornalista peruano Marti Perarnau, em determinado trecho o treinador espanhol, ainda quando treinava o Baryern, revela sua metodologia em relação à pressão alta: "Faremos essa pressão poucas vezes na temporada, contra times como o Barça e alguns outros. O restante das equipes, na terceira vez que pressionarmos a saída, passará a dar chutões. Vamos receber a bola de presente e ter que trabalhar outros aspectos para evitar os contra-ataques e o perigo da segunda bola". Para quem gosta de pressionar o adversário, é fato que o Manchester City de hoje é um dos times que necessita receber essa pressão constante, e foi o que Klopp fez com seu Liverpool.

  E essa pressão alta que tanto Klopp quanto Guardiola gostam tanto foi a chave do jogo de hoje. Na época do Barcelona, mesmo que o adversário pressionasse muito, era difícil o time de Pep perder a bola. Por mais que o Manchester City de hoje talvez jogue o melhor futebol da Europa, é impossível comparar Stones com Piqué ou Fernandinho com Busquets. 

  O time do Liverpool, por sua vez, tem uma defesa extremamente insegura, que leva dificuldade contra times eficientes no ataque. O recém-chegado Van Dijk, zagueiro mais caro da história, planeja consertar esse problema, mas hoje não pôde jogar por conta de uma lesão. 

  O jogo começou como esperado, os dois times pressionando muito. Aos 8 minutos, Firmino ficou com a bola na dividida e tocou para Chamberlain, que avançou e chutou muito bem no canto para abrir o placar. Aos 40 minutos, foi Sané quem pegou a bola, fez grande jogada e bateu forte no canto do goleiro Karius para empatar o jogo. A primeira etapa não foi tão agitada, as equipes foram intensas, mas não provocaram tantos erros do adversário.

  O segundo tempo já foi diferente. O Liverpool começou a apertar mais ainda, aproveitando a velocidade e vontade do trio de ataque Mané, Salah e Firmino. Aos 13 minutos, Chamberlain avançou com a bola e tocou para Firmino, que ganhou de Stones na dividida e com muita categoria marcou de cobertura. 3 minutos depois, Otamendi foi tentar sair jogando e perdeu para Salah, que rolou para Mané mandar um balaço de canhota na gaveta. E apenas 6 minutos depois veio o quarto gol, dessa vez o goleiro Ederson saiu bem do gol, mas na hora de afastar entregou nos pés de Salah, que chutou de muito longe aproveitando o gol vazio. Três golaços.

  O jogo parecia definido. O Liverpool continuava provocando erros em sequência do City, ora com Fernandinho, ora Danilo, ora Walker. Aos 79, Klopp fez uma substituição esquisita, tirou Emre Can, jogador que mais desarma no Liverpool, responsável por impedir a bola do City de rodar na entrada da área para colocar James Milner. 

  Aos 84, o Manchester City entrou tabelando, a bola sobrou para Bernardo Silva, que havia substituído Sterling há pouco tempo, marcar o segundo do time de azul. Aos 88, outra substituição estranha nos Reds, saindo Salah, o jogador mais qualificado para tentar segurar a bola, para entrada de Lallana. Aos 91, Agüero cruzou, Gundogan dominou bonito e mandou pro gol. Final do jogo: 4x3 para o Liverpool.

  Esse resultado acabou com a invencibilidade do Manchester City, que até então tinha 20 vitórias e 2 empates no campeonato. Klopp mostrou que é mesmo especialista em pressão alta e fez Guardiola provar do seu próprio veneno quanto enfrenta grandes times. O problema é que, apesar de fazerem boas temporadas, Danilo, Stones, Otamendi e Fernandinho não são exímios passadores e cometeram o tipo de erro que mais irrita o treinador espanhol.

  Por outro lado, a equipe de Manchester não precisou de muito para quase conseguir o empate no final do jogo. Em poucas chegadas dentro da área, a defesa dos Reds já mostrou insegurança e deu liberdade para o adversário marcar. Além disso, não seria a primeira vez, longe disso, que o Liverpool não conseguiria segurar uma larga vantagem. É preciso repensar essa estratégia para segurar o jogo. Faltam jogadores de cadência no elenco? Faltam marcadores? O problema é excesso de confiança?

  A lição que fica para os adversários do Manchester City tanto na Premier League quanto na Champions League é que não adianta só se retrancar, é preciso pressionar na frente, pois o time pode não ser tão qualificado quanto esperado. Já o Liverpool continua cometendo os antigos erros, mas mostrou que, mesmo sem Phlippe Coutinho, pode ir longe na temporada com seu ataque extremamente veloz.



Pedro Werneck Brandão

domingo, 7 de janeiro de 2018

Despedida dolorosa

  Imagem retirada do site Independent.ie


  Meu irmão sempre gostou muito do Liverpool, então sempre que me perguntavam para que time eu torcia na Europa, eu respondia prontamente que eram os Reds. Mas foi apenas na temporada 2013/2014 que eu passei a torcer de verdade para o time inglês. Minha torcida coincidiu com a chegada de Phlippe Coutinho. 

  O time daquela temporada era espetacular. Eu não perdia um jogo sequer. Gerrard, capitão e maior ídolo do clube, jogando no meio com um quarteto ofensivo formado por Sterling, Coutinho, Sturridge e Suárez. Aprendi a cantar a música do Liverpool "You´ll never walk alone" e passei a entoar junto com a torcida antes dos jogos no Anfield, sempre ficando completamente arrepiado. Coisas do futebol, os Reds perderam aquele título praticamente certo.

  Ofuscado por um ano absurdo de Suárez e Sturridge, a torcida de cara gostou de Coutinho, mas ainda não era totalmente valorizado. Mas eu desde o começo já o achava um craque. O estilo de jogo dele valoriza tudo que admiro dentro do futebol: o drible, o toque de bola e o chute de fora da área.

  Me chamavam de maluco por dizer que ele jogava muito, por pedir ele na seleção desde aquela época, por falar que ele era mil vezes melhor que Oscar, William e Douglas Costa. Mas eu continuei repetindo o mesmo, e sabia que as pessoas não sabiam o tamanho do futebol dele, porque não assistiam os jogos. E hoje que todos valorizam ele, faço questão de falar "eu avisei" para cada um que discordou de mim e não viu o potencial do brasileiro.

  Na temporada 2014/2015, Suárez deixou o Liverpool rumo ao Barcelona e Sturridge sofreu muito com lesões. Comandado por Brendan Rodgers, o time foi muito mal na Champions, eliminado na fase de grupos. Mas em um time desorganizado e com poucos craques, o "Pequeno Mágico" começou a ganhar protagonismo.

  Porém foi na temporada seguinte que Coutinho, com a venda de Sterling e a aposentadoria de Gerrard, passou a carregar o time nas costas. Também se especializou em chutes de fora da área e cobranças de falta, sendo que no início da carreira tinha no chute uma de suas fraquezas. 

  E carregando o time nas costas, Coutinho não fez feio. Levou o time até a final da Europa League, na qual perdeu para o Sevilla. Nas oitavas, o time se classificou com um golaço decisivo do brasileiro contra o rival Manchester United. Nas quartas, eliminou o Borussia Dortmund virando um jogo de 3x1 para 4x3, em uma das melhores partidas que assisti na vida, um dos gols sendo marcado por ele. Na semi, passaram com facilidade pelo Villarreal. Pelo campeonato inglês, os Reds não conseguiram a classificação para a Champions League.

  Com Klopp já adaptado, o Liverpool teve uma temporada 2016/2017 muito consistente. O time ficou em quarto na Premier League e voltou à Champions. Apesar de sofrer com lesões, Coutinho obteve excelentes números, 13 gols e 7 assistências em 28 jogos.

  E chegamos à atual temporada. Com o time fortalecido, começou muito bem o campeonato inglês e passou pela fase de grupos da Champions com facilidade. Devido às lesões de Henderson e Milner quase sempre no banco, Coutinho ganhou o posto de capitão do time. Passou a ter definição completa de craque do time: "dez e braçadeira". Vinha tendo os melhores números da carreira, somando todas as competições, já eram 15 gols e 8 assistências em 23 jogos, uma participação direta por jogo.

  Em qualquer âmbito, sempre achei meio bobo essa idolatria por uma pessoa famosa. Fosse cantor(a), jogador(a) ou qualquer outra coisa. Mas depois de Coutinho, passei a ver isso de maneira diferente. Pelo futebol bonito, pela minha identificação com o jeito dele, discreto. Tudo contribuiu para que eu me tornasse mais do que fã dele. E fica mais fácil quando ele joga no time que você torce.

  Entendo a decisão dele de ir para o Barça, a maior possibilidade de ganhar títulos, a parceria com Messi e Suárez, esse segundo já amigo dele. Além disso, como ele ainda tem 25 anos, pode passar a ser o craque da equipe e quem sabe até melhor do mundo depois que esses dois craques ficarem mais velhos. Por outro lado, acho que poderia ter esperado até o final da temporada, já que não poderá jogar a Champions pelos catalães, por já ter disputado jogos com o Liverpool, e o título espanhol já estar praticamente garantido. Ficando na Inglaterra, poderia, quem sabe, fazer história dentro da competição européia sendo a estrela do time.

  Continuarei torcendo pelo Liverpool. Continuarei torcendo pelo sucesso de Coutinho. Mas não será a mesma coisa agora que essas duas torcidas estão separadas. Nunca imaginei que ficaria triste com uma transferência no futebol, mas fiquei, e muito.



Pedro Werneck Brandão

   

  

  

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Furacão

Imagem retirada do site The Sun


  Harry Kane, conhecido pelos torcedores como Hurricane, em português, furacão, está jogando cada vez mais bola. Terminou o ano batendo um recorde atrás do outro. Com um hat-trick no jogo de hoje contra o Southampton, Kane se tornou o jogador com mais gols em um ano por jogos do Campeonato Inglês na história (39), o jogador com mais hat-tricks em um ano pelo Campeonato Inglês (6) e o artilheiro do futebol no ano (56 gols).

  O mais impressionante é que Harry bateu todos esses recordes no ano tendo sofrido uma lesão que o tirou dos gramados por quase dois meses. Com um número de jogos menor, ele superou grandes artilheiros, como Messi, Cavani, Lewandowski e Cristiano Ronaldo.

  O atacante inglês já foi artilheiro das duas últimas edições da Premier League e lidera a corrida pela artilharia desta temporada mais uma vez, com 18. Não podemos prever o que acontecerá na segunda metade da temporada, mas mantendo essa média ele pode ultrapassar o recorde de Alan Shearer de mais gols em um campeonato (34).

  "Hurricane" é um finalizador nato, chuta de longe e de perto, é destro, mas também usa muito bem a canhota, tem recurso de sobra. E não só de gols vive ele! O inglês sai da área, protege muito bem a bola e dá passes sensacionais, incluindo alguns lançamentos dificílimos. Os mais atentos já perceberam inclusive o quanto ele tem ficado mais rápido, e não é à toa, o atacante tem feito treinos específicos para isso.

  Na carreira, Kane tem 171 jogos, 111 gols e 18 assistências. Os números por si só já são impressionantes, mas agora lembrem que ele ainda tem 24 anos e só passou a ser titular e jogar regularmente na temporada 2014/2015, 

  Beckham, Owen, Lampard, Gerrard, Rooney. Todos esses nomes nos últimos anos criaram muita expectativa em relação à seleção inglesa. Nenhum conseguiu muita coisa. Mas acho que Kane está mais preparado do que todos eles já estiveram para comandar a seleção e tentar fazer algo diferente na Copa da Rússia. 

  Suárez e Lewandowski me perdoem, mas Harry Kane já é o melhor centroavante do mundo.


  Pedro Werneck Brandão 

domingo, 29 de outubro de 2017

Organização sim, inspiração não



  Há mais de dois meses Zé Ricardo deixou o comando técnico do Flamengo e o colombiano Reinaldo Rueda assumiu seu lugar. O que mudou nesse tempo? Muito e pouco.

  O balanço do Flamengo no ano continua ruim, manteve a mesma posição no Brasileirão, foi derrotado na final da Copa do Brasil, mas continua vivo na Sulamericana, na qual terá partida decisiva contra o Fluminense no meio de semana.

  Antes de qualquer análise, é importante apresentar um fato indiscutível: desde que Rueda assumiu o Fla, os jogos são horríveis. Quando digo que os jogos são horríveis, não me refiro ao desempenho do time rubro-negro, mas à qualidade da partida mesmo. Até os jogos cheios de expectativa como os da semi-final e da final da Copa do Brasil foram simplesmente horrorosos. Como flamenguista, posso falar que não dormir enquanto assiste o time jogar virou um enorme desafio.

  Logo que chegou, Reinaldo foi elogiado por ter organizado o time melhor. Falou-se muito do fato de que ele mandou os laterais não avançarem e  que isso consertou o sistema defensivo. Bom, isso é verdade, mas também fez com que o ataque caísse muito de rendimento. Os quatro jogadores de ataque acabam tendo que resolver tudo sozinhos, algo complicadíssimo para jogadores que não vivem grande fase.

  Sobre esse ataque, Éverton vem sendo muito consistente na ponta esquerda, o jogador menos questionado do sistema ofensivo. Diego vive altos e baixos. Na ponta direita, Berrío, capaz de jogadas maravilhosas e outras bizarras, vinha sendo titular, mas se lesionou, e deu espaço para Éverton Ribeiro. Esse já mostrou no Cruzeiro que é um excelente jogador, entretanto no Fla fez muito pouco. O centroavante deveria ser Guerrero, que, quando joga, acrescenta muito, porém os jogos da seleção peruana e as lesões vem impedindo-o de atuar pelo time, dando espaço ao meio-campo Paquetá, obrigado a fazer uma função que não está acostumado.

  Como dito anteriormente, a ausência dos laterais no ataque, obriga esses quatro jogadores a resolverem tudo. Pouco produzem, as melhores jogadas saindo justamente quando o volante Arão aparece na área como elemento surpresa. No primeiro jogo da semi-final contra o Cruzeiro, por exemplo, as únicas jogadas criadas foram cabeceios de Willian. 

  Escrevi muitas vezes que o grande problema do Fla de Zé Ricardo era que os 11 onze jogadores não formavam um time, não havia aproximação. Os laterais se mandavam pra frente, assim como Arão. Com isso, os dois zagueiros e Márcio Araújo trocavam passes sem chegar à lugar algum. Mesmo assim, a equipe ainda conseguia fazer bons jogos, sendo a que mais finalizava e mais criava chances claras no Brasil, falhando na concretização.

  Rueda deixou o time mais organizado, consertou a defesa, muito por ter posto Juan como titular, fato que deve ser elogiado. Mas ainda não há identidade de time. Os jogadores ficam isolados, tentam jogadas individuais, mas só Éverton obtém sucesso nessas tentativas.

  Zé Ricardo errou em muitas coisas como comandante do rubro-negro carioca, principalmente na eliminação da Libertadores. Rueda veio de outro país e teve pouco tempo de trabalho, também foi prejudicado pela ausência contínua de Guerrero, por outro lado, tem a oportunidade de contar com um baita goleiro, Diego Alves, coisa que Zé não teve.

  A única coisa que tenho certeza é que, até agosto, eu gostava de assistir o Flamengo, os resultados muitas vezes não vinham, mas a equipe jogava bem. Agora, as partidas servem como sonífero para mim e, se isso não mudar logo, vou começar a perder as esperanças.

Pedro Werneck Brandão

    

segunda-feira, 26 de junho de 2017

As diferenças entre Flamengo e Corinthians

Imagens retiradas dos sites Torcedores.com e Globoesporte
  
  No começo do ano, ninguém diria que o time do Corinthians era melhor que o do Flamengo. Todos apostariam na equipe carioca muito mais favorita do que a paulista. Ainda hoje, se perguntar apenas qual elenco é melhor, sem levar em conta os resultados, é impossível não dizer que o rubro-negro é superior. 

  Dentro de campo, isso não está acontecendo. O Corinthians lidera o campeonato, com incríveis 87% de aproveitamento. O Fla também vai bem, está em terceiro (cai para quarto se o Botafogo derrotar o Avaí ainda hoje). Mesmo as posições sendo próximas, o Timão está 9 pontos à frente do Urubu.

  Só passaram-se dez rodadas, é verdade, mas meu principal objetivo é analisar como esses dois times são o oposto um do outro. O time paulista tem um elenco com poucas estrelas, porém taticamente perfeito. O Fla é o contrário. Por que isso?

  Começando pelo trabalho corintiano, o time foi apontado no começo do ano como a quarta força de São Paulo. Algumas das contratações foram questionadas, principalmente se comparadas com as de equipes como o Palmeiras e o próprio Flamengo. Mesmo com todas as limitações, montou um elenco equilibrado, pouco badalado, mas com ótimas opções. 

  A escolha para o comando técnico também foi muito questionada. Fábio Carille, auxiliar de Mano Menezes e Tite nos últimos anos, já tinha tido uma chance ano passado, mas foi rapidamente demitido. Esse ano, recebeu mais uma chance e está aproveitando completamente. 

  Eu mesmo critiquei um pouco essa escolha de técnico, mas ela foi totalmente adequada e condizente com os trabalhos recentes. Na Europa, é cultura os clubes terem uma filosofia de trabalho, por exemplo, o Barcelona desde as categorias de base implementa um futebol de posse de bola e ofensivo. No Brasil, isso é uma raridade e dificulta muito os clubes. O Corinthians vem sendo uma exceção, porém quase jogou isso água a baixo ano passado ao contratar Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. 

  De 2008 a 2010, Mano Menezes, auxiliado pelo Fábio Carille, fez um bom trabalho no Corinthians. Na sequência, Tite, que tem características parecidas (e muito mais qualidade, é verdade), assumiu o comando e conquistou a Libertadores e o Mundial. O treinador saiu em 2013, mas em 2014 voltou e ainda conquistou um Brasileirão antes de deixar o clube para assumir a seleção brasileira. 

  O sucesso desses treinadores tem muito a ver com o estilo de jogo. Um futebol muito tático, o time bem fechado na hora de marcar e saindo no contra-ataque com trocas de passes intensas. Mano já fazia isso, e Tite elevou esse futebol a outro nível. Ninguém melhor que Carille, que trabalhou com os dois, para assumir o Timão.

  O Corinthians começa a temporada lembrando muito o time campeão com Tite. Mérito também da diretoria por já ter contratado jogadores adequados para esse esquema. O esquema é o mesmo e a função executada pelo jogador de cada posição também. Cássio voltou a se destacar no gol, Fágner convocado para seleção na lateral direita, Arana líder de assistências na lateral esquerda, Pablo o grande destaque dessa defesa, ao lado de Balbuena, que foi de questionado para seguro.  Gabriel um leão no meio-campo, ao lado de Maycon, perfeito na transição defesa-ataque e Rodriguinho, grande destaque do time. Jádson, não tão decisivo quanto em 2015, mas ainda assim dando muita qualidade, Romero, jogador questionado, mas taticamente perfeito, e Jô fazendo uma temporada espetacular no comando de ataque.

  O Flamengo tem um elenco muito superior. Só para frente tem jogadores como Éverton, Diego, Guerrero, Berrío, Vinicius Jr., Ederson e Conca, além dos recém-chegados Geuvânio e Éverton Ribeiro. Rhodolfo também chegou para reforçar a zaga. As opções são muitas, e o time tem tudo para crescer.

  A questão maior aqui é que, mesmo com tanta qualidade, o Flamengo não tem a identidade de time do Corinthians. O time paulista é coletivo, visto realmente como um time. Já o Fla, são 11 jogadores. Gosto do estilo de jogo praticado pelo Zé, posse de bola, jogadores adiantados, e por isso defendo muito sua permanência, mas ele precisa urgentemente mudar algumas coisas.

  Hoje o time do Fla depende de momentos decisivos dos principais jogadores, que agora não são poucos, é verdade. Por isso, mesmo não jogando o futebol ideal, ainda pode brigar por títulos. Agora, se essa equipe se ajeitar e o Zé conseguir juntar as peças da maneira certa, pode virar uma máquina.

  Como fazer isso? Lendo uma biografia do Guardiola, estava vendo que ele bate muito na tecla dos jogadores terem uma ideia de time, o que significa progredir e regredir igualmente, algo que o Corinthians de Carille faz. Já o Flamengo faz o oposto.

  As escolhas do Zé para começar jogando não são ruins, muitas vezes até concordo, outras não, mas é mais questão de opinião. O problema é a organização em campo. Na hora de sair jogando, o treinador pratica algo comum em vários times europeus, coloca um volante (normalmente Márcio Araújo) entre os zagueiros e adianta os laterais. O problema é 1) ele adianta muito os laterais, que viram pontas, e simplesmente não ajudam na saída de bola. 2) Normalmente, quando isso é feito lá fora, dois meias ficam a frente desse trio de zagueiros, mas Diego joga muito adiantado e Arão, ou fica atrás, mas erra todos os passes, ou então se manda pra frente como um segundo atacante. Resultado? Um buraco no meio-campo, fazendo Márcio Araújo errar passes bobos, Vaz tentar dar chutão o tempo todo e Réver sair driblando feito um maluco.

  Se ele gosta dessa ideia de ter três zagueiros quando tem a posse de bola, tudo bem, mas tem que mudar a forma de executá-la. Trocar o Márcio Araújo pelo Rômulo, porque, apesar de eu achar que MA tem muitos méritos, ele não sabe fazer essa função. Esses zagueiros devem ter gente perto para auxiliar na armação, ou seja, fazer uma linha de quatro com os laterais, Diego e Arão (que eu ainda trocaria por Cuellar ou até o garoto Ronaldo). Um pouco a frente, estariam os dois pontas e Guerrero. Com isso, todos os setores poderiam avançar ao mesmo tempo e ninguém ficaria sozinho tendo que se virar, algo muito constante nos jogos do rubro-negro. Na falta de volantes de qualidade, nos jogos mais fáceis dentro de casa, ele também pode ousar e trocar Arão por Conca, botando o argentino ao lado de Diego.

  Tudo pode acontecer até o final do campeonato. Talvez o Corinthians não termine tão bem, talvez o Flamengo seja campeão. Mas, por enquanto, o Timão deixa de lição que pode valer mais um elenco pouco abalado, mas com uma cara bem definida do que um estrelado, mas mal organizado. O Fla vem de duas vitórias, uma muito boa contra a Chape inclusive, porém pode render mais, só que o próprio Zé Ricardo precisa acreditar nisso.


Pedro Werneck Brandão

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Análise de confrontos: Quartas de final Copa do Brasil

 Saiu nessa segunda-feira (05/06) a definição dos confrontos das quartas de final a Copa do Brasil, após sorteio realizado pela CBF. Vamos olhar como ficou e o que esperar de cada partida:



Flamengo x Santos

Imagem retirada do site Portal Bragança News

  Esse confronto de dois gigantes e dois dos melhores elencos do país teria tudo para ser fantástico, mas os dois times não vem jogando tudo que podem. O Flamengo vem em uma fase melhor, apesar de falhas em vários aspectos e a sofrida eliminação na Libertadores. Já o Santos, passou tranquilo na Liberta, mas começou o Brasileiro mal e demitiu o técnico Dorival Júnior. Meu palpite é que passa o Fla, que ainda poderá ter os reforços de Éverton Ribeiro, Geuvânio e Rhodolfo, além do retorno de Conca e Diego. O Santos deve ser muito prejudicado pela troca de técnico, pelo menos no primeiro momento.



Botafogo x Atlético-MG

Imagem retirada do site BlogMasterTV

  Esse também será outro confronto muito equilibrado. Time por time, elenco por elenco, o Galo é bem superior. Dentro de campo, essa superioridade não vem sendo tão clara. Os dois times passaram com tranquilidade da fase de grupos da Libertadores. A tendência é ver a equipe mineira atacando mais e a carioca contra-atacando, uma arma poderosíssima do Glorioso. O botafoguense também pode usar o retrospecto positivo contra o Atlético nos últimos anos para se tranquilizar.



Grêmio x Atlético-PR

Imagem retirada do site Jornalheiros

  Esse talvez seja o confronto mais fácil de identificar um favorito. O Grêmio é o time que joga o melhor futebol do Brasil no momento. O time gaúcho se classificou na Libertadores, começou o Brasileirão muito bem e passou muito tranquilamente do Flu na última fase da Copa do Brasil. Apesar do mau momento, o Furacão pode dar muito trabalho à equipe gremista.  O Imortal é favorito, mas tudo pode acontecer.



Cruzeiro x Palmeiras

Imagem retirada do site Cultura Mix

  Esse confronto também envolve dois dos melhores elencos do país. O Cruzeiro tem como vantagem não ter disputado a Libertadores e nem vir a disputar no futuro, ou seja, pode ter um elenco mais inteiro fisicamente. Por outro lado, a equipe mineira vem decepcionando bastante e apresentando um futebol longe de ser condizente com o ótimo time. O Palmeiras também não vem mostrando tudo que pode, mas acho que ainda dará a volta por cima.



Pedro Werneck Brandão

sábado, 3 de junho de 2017

12 títulos e vários segredos

Imagem retirada do site El País


  O jogo mais esperado do ano chegou. Final da Champions League, jogo em que toda uma temporada se resume, a partida que reúne o melhor do esporte mais amado do mundo. Mais de 1 bilhão de espectadores ao redor de 200 países.

  Não há como contestar os participantes dessa final. Juventus, campeã do campeonato e da copa italiana. Apenas dois gols sofridos antes da final e nenhum deles na fase de mata-mata. Real Madrid superou o Barcelona e ganhou o campeonato espanhol, marcando gol em TODOS os jogos da temporada. 

  Os dois times chegaram em Cardiff tendo como principal característica a objetividade. Não são os times mais interessantes de se assistir, mas tem um plano de jogo muito bem definido e assim superaram todos os times que apareceram na frente.

  A Juve se consolidou como a melhor defesa da Europa, alternando o esquema com três ou dois zagueiros. Allegri também teve outras ideias surpreendentes que deram muito certo, como ao colocar o centroavante de área Mandzukic para jogar na ponta esquerda. O ataque também se saiu bem, sem precisar de muitas oportunidades para marcar gol, contando com a criatividade de Dybala e o oportunismo de Higuaín.

  O Real também teve uma defesa muito sólida, liderada pelo capitão Sergio Ramos. No ataque, também não precisa de tantas oportunidades para marcar, tendo um transição defesa-meio-ataque rápida e de muita qualidade.

  Os times repetiram na final a escalação mais usual ao longo da temporada. Os italianos com Buffon (para muitos, o melhor goleiro do século); Barzagli, Bonucci e Chiellini (três dos melhores zagueiros do mundo); Dani Alves (fazendo a temporada de maior destaque da carreira), Khedira (marcador impecável), Pjanic (passador preciso) e Alex Sandro (cresceu muito defensivamente e ofensivamente); Dybala (o mais técnico), Mandzukic (ajudando também na defesa) e Higuaín (o matador).

 Os espanhóis com Keylor Navas (ótimo goleiro, apesar de ter caído um pouco de produção); Carvajal (se firmando como um dos melhores da posição), Varane (zagueiro extremamente regular), Sergio Ramos (o líder) e Marcelo (fez outra temporada espetacular); Casemiro, Modric e Kroos (o melhor meio-campo do mundo disparado) e Isco (foi de jogador de elenco para titular incontestável durante a temporada); Cristiano Ronaldo (o craque) e Benzema (importantíssimo).

  Muitos fatores podem ser colocados, mas é a emoção que dita o ritmo de uma final desse porte. Assim foi nos últimos anos e sempre tende a ser. Por isso, é possível observar os times mais cautelosos, receosos de deixar espaços na defesa. 

  Essa cautela típica de final e as características das duas equipes marcaram bem os primeiros minutos de jogo. Até então, a Juve era superior, mas parecia fazer parte do plano madrilenho deixá-los com maior posse de bola. O time italiano fazia algo que começa a ser tendência no Velho Continente, três zagueiros quando o time tem a bola para ajudar na saída e linha de quatro no momento defensivo. Essa mudança se dava com Bonucci (no primeiro tempo) e Barzagli (no segundo tempo) fazendo a lateral-direita, com Chielini e um dos companheiros na zaga e Alex Sandro na esquerda. Daniel Alves ficava como ponta direita, voltando bastante, assim como Mandzukic, na hora de defender.

  A tática da Velha Senhora tinha tudo para ir por água baixo quando Cristiano Ronaldo abriu o placar aos 19 minutos. O atacante tabelou com Carvajal, que devolveu para trás na medida para ele mandar de primeira pro gol (ah se os laterais no Brasileirão fizessem isso ao invés de jogar a bola pra área sem olhar). Para felicidade de Allegri, Mandzukic empatou aos 26 com um gol daqueles, um golaço que vai ser repetido muitas vezes durante a semana. O croata acertou um voleio/bicicleta sensacional da entrada da área.

  O empate de volta ao placar também fez a cautela do começo do jogo voltar, o jogo ficando mais morno ainda até o fim do primeiro tempo. No segundo, o Real resolveu manter mais a posse de bola e deixar a Juve encurralada no campo defensivo. Aos 15, veio o gol do Real em um momento crucial da partida, Casemiro arriscou de muito longe, a bola desviou em Khedira e morreu nas redes. Logo depois, de novo aos 19, Ronaldo ampliou, se infiltrando entre os defensores, após cruzamento de Modric.

  Os dois gols de diferença a favor do Real Madrid acabaram com o jogo da Juve, pois os espanhóis são os melhores em cozinhar o jogo atualmente. Sempre que tiveram a vantagem, souberam administrar, pois sabem manter a bola, se defender bem e também têm um contra-ataque mortal.

  Na tentativa de ir pra cima, Allegri colocou Cuadrado, ponta direita, no lugar de Barzagli. Aos 26, o colombiano tomou cartão amarelo. Aos 38, encostou em Sergio Ramos, o espanhol valorizou absurdamente, originando o segundo amarelo do jogador da Juve e, consequentemente, o vermelho. A missão já fácil do Real ficou mais ainda.

  Para fechar a conta, já nos últimos minutos, Marcelo fez grande jogada e tocou para Asensio, que havia acabado de entrar, marcar (repito, ah se os laterais no Brasileirão fizessem isso ao invés de jogar a bola pra área sem olhar).

  A Juventus poderia ganhar, torci para isso inclusive. O motivo da minha torcida se deu, principalmente, para Buffon ganhar o título que falta em sua gloriosa carreira. Mas deu a lógica, e isso é inegável. O Real Madrid é o melhor time da Europa e mereceu demais seu décimo segundo título. O trio MSN é mais genial que o ataque madridista, mas como time, como conjunto, a equipe da capital espanhola está muito na frente de qualquer uma.

  Além de um plantel tão bom, o comandante dos campeões também é genial. Os méritos de Zizou não são poucos. Pode-se destacar o fato de ter usado todo o elenco para que os titulares pudessem chegar nessa final descansados. Outro grande destaque foi a mudança no futebol do Isco, jogador antes pouco objetivo e que jogou demais essa temporada. O meia assumiu a posição com a lesão de Bale e manteve tal condição com a sua volta (o galês ainda não estava 100%, é verdade). A titularidade do espanhol permitiu que os muito qualificados laterais do Real, Carvajal e Marcelo, virassem os verdadeiros pontas dessa equipe, firmando Cristiano Ronaldo como centroavante muito mais do que jogador de beirada, ao lado de Benzema.

  E não tem como terminar o texto sem falar especialmente do português. Quem me conhece, sabe que acho o Messi muito melhor do que ele, e assim sempre pensarei. Mas isso não tira o mérito de CR7, não faz com que ele não possa ser considerado um dos melhores da história e que tenhamos que agradecer a oportunidade de ver esses dois gênios da bola. Essa temporada, mais do que nunca, apareceu seu poder de decisão. Afinal, como contestar um cara que fez 5 gols contra o Bayern nas quartas, 3 contra o Atlético na semi e 2 contra a Juventus na final?



Pedro Werneck Brandão